Atlas Histológico

Tecido Epitelial - Tecido Conjuntivo
Tecido Muscular - Tecido Nervoso
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Tecido Epitelial

As principais funções do tecido epitelial são revestimento e secreção. A função de revestimento de superfícies está quase sempre associada às atividades de proteção, absorção e até percepção de estímulos neuroepitélio. Como revestem as superfícies externas e internas, tudo que entra ou sai do corpo atravessa o tecido epitelial. A função de secreção pode ser feita por células epiteliais especializadas individualmente ou por células que se reúnem para constituir estruturas maiores com a mesma função: as glândulas.

Tecido Epitelial

As células epiteliais são poliédricas (possuem grande número de faces), justapostas e possuem pouca substância intercelular entre si. Sua capacidade de se organizar em folhetos ou em estruturas especializados deve-se à característica de aderir fortemente entre si, por meio das junções intercelulares.

Tecido Epitelial

A forma das células, e consequentemente de seus núcleos, varia muito, podendo estas ser desde pavimentosas (com núcleos achatados) até colunares altas (com núcleos alongados).

Por não serem vascularizados, os epitélios apoiam-se em tecido conjuntivo.

Revestimento - Gandular

Tecido Epitelial de Revestimento

Simples pavimentoso - Estratificado pavimentoso queratinizado - Estratificado pavimentoso não queratinizado - Simples prismático - Simples cúbico - Pseudoestratificado ciliado - De transição

Tecido epitelial de revestimento simples pavimentoso

Encontrado revestindo o lúmen de vasos sanguíneos e linfáticos, constituindo o endotélio. Também é encontrado revestindo as grandes cavidades do corpo (pleural, pericárdica e peritoneal), recobrindo os órgãos contidos nessas cavidades, constituindo o que chamamos de mesotélio. Apresenta apenas uma camada de células.

Endotélio

Endotélio

Artéria elástica, 40X, HE. São visíveis a túnica adventícia, túnica média e a túnica íntima(cabeça de seta). O endotélio é um exemplo de Tecido Epitelial de Revestimento Simples Pavimentoso, e forma uma barreira semipermeável.

Endotélio

São funções das células endoteliais: Conversão de bradicinina, serotonina, prostaglandinas, noradrenalina e trombina em compostos biologicamente inertes; Lipólise de lipoproteínas; Produção de fatores vasoativos (endotelinas, óxido nítrico) e fatores de relaxamento;

Artéria elástica, 100X, HE. Estão indicadas na figura a túnica adventícia, a túnica média, a limitante elástica interna (seta) e o endotélio (cabeça de seta).

Artéria elástica, 400X, HE. Estão indicadas a túnica média, onde é possível visualizar fibras elásticas, a limitante elástica interna (seta menor) e o endotélio (seta maior), com células pavimentosas de núcleo achatado. - Menu Anterior

Tecido Epitelial de Revestimento Estratificado Pavimentoso Queratinizado

Encontrado no revestimento das superfícies corporais externas, possui, principalmente, função de proteção contra corpos estranhos e desidratação. Apresenta várias camadas de células revestidas na superfície mais externa por queratina. Seu nome deriva da forma das células de sua camada mais superficial. As células mais próximas ao tecido conjuntivo são geralmente cúbicas ou prismáticas, e à medida que migram lentamente para a superfície do epitélio, mudam sua forma, tornando-se alongadas e achatadas como ladrilhos.

Essas células descamam e são continuamente substituídas pelas que migram da base para a superfície. Esse tecido apresenta cinco camadas:


Basal - Constituída por células prismáticas ou cuboides, é rica em células-tronco da epiderme, sendo também chamada de germinativa. É responsável, junto com a camada espinhosa, pela constante renovação da epiderme.

Espinhosa - Formada por células cuboides ou ligeiramente achatadas, de núcleo central. Seu aspecto espinhoso deve-se à curtas expansões citoplasmáticas que contêm feixes de filamentos de queratina, responsáveis por manter unidas as células adjacentes.

Granulosa - Possui 3 a 5 fileiras de células poligonais achatadas, núcleo central e citoplasma carregado de grânulos basófilos, que lançam seu conteúdo no espaço intercelular da camada granulosa, contribuindo para a formação de uma barreira que impede a entrada de substâncias e para tornar a pele impermeável à água.

Lúcida - Mais evidente na pele espessa, é constituída por uma delgada camada de células achatadas, eosinófilas e translúcidas.

Córnea - Apresenta espessura muito variável e é constituída por células achatadas, mortas e sem núcleo, com citoplasma repleto de queratina.

Pele Espessa - Pele Pilosa

Pele Espessa

A pele é formada pela epiderme, representada pelo tecido epitelial de revestimento estratificado pavimentoso queratinizado descrito, e pela derme, de tecido conjuntivo.

A pele espessa é encontrada na palma das mãos, na planta dos pés e em algumas articulações. A junção entre a epiderme e a derme é irregular.

A derme tem projeções, as papilas dérmicas, que se encaixam em reentrâncias da epiderme, as cristas epidérmicas, aumentando a coesão entre essas duas camadas.

Pele palmar, 40X, HE. Podem ser identificados: epiderme (seta), derme e hipoderme.

Aplicação Clínica

Um aumento do número de mitoses nas camadas basal e espinhosa produz uma epiderme mais espessa, que se renova com mais rapidez e passa a apresentar regiões com acúmulo de queratina descamada. Tal condição é conhecida como psoríase, na qual também há um comprometimento dos capilares da derme e migração de neutrófilos, cursando com um processo inflamatório. Além dessas manifestações na pele, a psoríase pode ter repercussões mais gerais.

Pele palmar, 100X, HE. São visíveis epiderme (seta grossa), camada de queratina (seta fina) e papila dérmica (losango).

Imagens de pele palmar, 400X, HE. A ordem das imagens corresponde à sua posição no tecido, da parte mais superficial para a mais basal. Na figura 1 estão destacadas as camadas córneas e lúcida; as setas representam as células epidérmicas translúcidas características dessa última camada. Na figura 2, estão indicadas as camadas granulosa – representada pelas fileiras de células achatadas – e a espinhosa, com suas células de forma cuboide e núcleo central. Na figura 3, estão em evidência as células que compõe a camada basal, apresentando tamanho reduzido e forma cuboide. - Menu Anterior

Pele Pilosa

A pele pilosa possui epiderme mais delgada apoiada sobre a derme, e frequentemente não apresenta as camadas granulosa e lúcida, com camada córnea muito reduzida.

Pele pilosa, 40X, HE. No menor aumento, é possível visualizar um folículo piloso, a derme e a epiderme (seta).

Pele pilosa, 100X, HE. São identificáveis derme, epiderme (seta grossa), camada de queratina (seta fina) e vênulas (losangos).

Pele pilosa, 400X, HE. Estão identificados tecido conjuntivo, epitélio e camada de queratina (seta fina). - Menu Anterior

Tecido Epitelial de Revestimento Estratificado Pavimentoso não Queratinizado

Assim como o Tecido Epitelial de Revestimento Estratificado Pavimentoso Queratinizado, seu nome deriva da forma das células de sua camada mais superficial, uma vez que as células mais próximas ao tecido conjuntivo são geralmente cúbicas ou prismáticas. À medida que migram lentamente para a superfície do epitélio, essas células mudam sua forma - tornando-se alongadas e achatadas como ladrilhos - descamam e são continuamente substituídas pelas que migram da base para a superfície.

Esôfago

Esôfago

O esôfago é um tubo cuja função é transportar o alimento até o estômago. O epitélio estratificado não queratinizado compõe a mucosa deste órgão. Na submucosa existem glândulas cuja secreção, além de facilitar o transporte do alimento, protege a mucosa.

Esôfago, 40X, HE. Estão indicados, na imagem: epitélio, tecido conjuntivo subjacente (TC) e luz do órgão (asterisco).

Esôfago, 100X, HE. Estão indicados, na imagem: epitélio, tecido conjuntivo subjacente (TC) e luz do órgão (asterisco).

Esôfago, 400X, HE. As imagens mostram a alteração da forma das células epiteliais à medida que migram para a parte mais superficial do epitélio. Em A, as células basais mostram-se cuboides; em B, pode-se observar que as células começam a se tornar mais achatadas; em C, por fim, a partir da análise da forma no núcleo, é possível perceber as células já achatadas. A seta mostra a descamação do epitélio. - Menu Anterior

Tecido Epitelial de Revestimento Simples Prismástico

Também conhecido como colunar ou cilíndrico, possui células alongadas, com maior eixo perpendicular à membrana basal. Os núcleos são alongados, elípticos e acompanham o maior eixo da célula. É encontrado, por exemplo, no revestimento do lúmen intestinal e da vesícula biliar, e no estômago. Podem ser ciliados, como na tuba uterina, auxiliando no transporte de espermatozóides. - Estômago

Estômago

O epitélio glandular do estomâgo forma a mucosa gástrica, apresentando unidades secretoras tubulares e ramificadas que desembocam nas fossetas gástricas. Entre a mucosa e a submucosa adjacente encontra-se uma camada de músculo liso, denominada muscular da mucosa.
Todas as células deste epitélio secretam muco alcalino, composto de água, glicoproteínas e lipídeos, que fica firmemente aderido ao glicocálice dessas células para proteção.

Corte de estômago, 100X, HE. Estão identificados epitélio, glândulas fúndicas e camada muscular da mucosa. A seta indica uma fosseta gástrica, onde desembocam os produtos das glândulas subjacentes e a cabeça de seta indica uma camada de muco, desprendido do epitélio.

Estômago, 400X, HE. Podem ser visualizados na imagem: epitélio colunar, fosseta gástrica (seta), muco desprendido do epitélio (cabeça de seta), além de células parietais (P) e zimogênicas (Z) formando as glândulas fúndicas. - Menu Anterior

Tecido Epitelial de Revestimento Simples Cúbico

As células desse epitélio são cuboides e seus núcleos são arredondados. É encontrado na superfície externa do ovário e formando a parede de pequenos ductos excretores de variadas glândulas.

Ducto interlobular – Glândula submandibular

Glândula submandibular, 400X, HE. Em destaque na imagem, um ducto interlobular (delimitado), no qual é possível identificar epitélio simples cúbico, com células de núcleo esférico. - Menu Anterior

Tecido Epitelial de Revestimento Pseudoestratificado Ciliado

É formado por apenas uma camada de células que possuem núcleos em diferentes alturas, dando a impressão de estratificação. Essas células apresentam, em sua porção apical, estruturas conhecidas como cílios, formadas por dois microtúbulos centrais, cercados por nove pares de microtúbulos periféricos, envolvidos por membrana plasmática.

Essas estruturas são dotadas de motilidade e estão inseridas em corpúsculos basais situados no ápice das células. No epitélio respiratório, esses cílios auxiliam na defesa do organismo, transportando para fora do organismo microorganismos e partículas que se aderem à superfície do epitélio. - Traquéia

Traquéia

A traqueia é revestida internamente pelo epitélio de revestimento pseudoestratificado ciliado denominado “epitélio respiratório”, no qual estão presentes 5 tipos celulares, sendo o tipo mais abundante a célula colunar ciliada. Em segundo lugar, vêm as células caliciformes, que originam o muco, criando uma camada protetora.

Esse epitélio também apresenta células com microvilosidades, conhecidas como células em escova, que são consideradas receptores sensoriais. Existem ainda as células basais (células tronco) pequenas e arredondadas, que não se estendem até a superfície livre do epitélio. Por fim, encontra-se a célula granular, semelhante à célula basal, porém com numerosos grânulos, pertencentes ao sistema neuroendócrino difuso.

Traqueia, 40X, HE. Nesse corte, é possível visualizar o esôfago (asterisco), o epitélio (seta), a cartilagem hialina (C) e o tecido conjuntivo (TC).

Aplicação Clínica

Em tabagistas que fumam grande quantidade de cigarros, a fumaça do cigarro provoca metaplasia do tecido pseudoestratificado ciliado, que se transforma em tecido pavimentoso estratificado. Tal alteração cursa com prejuízo funcional, uma vez que o epitélio ciliado produtor de muco tem papel importante de proteção do sistema respiratório.

Traqueia, 100X, HE. Nesse aumento, pode-se ver com mais detalhes a cartilagem hialina, o tecido conjuntivo e o epitélio (seta). Também é possível notar glândulas serosas no tecido conjuntivo (ponto preto).

Traqueia, 400X, HE. No maior aumento, é possível ver com detalhes o epitélio pseudoestratificado, com cílios (ponta de seta) e células caliciformes (ponto preto). Também é possível ver o tecido conjuntivo, onde está demarcada uma glândula serosa. A seta fina indica uma célula epitelial. - Menu Anterior

Tecido Epitelial de revestimento de transição

É um epitélio estratificado em que a forma das células da camada mais superficial varia com o estado de distensão ou relaxamento do órgão, e é encontrado revestindo a bexiga urinária, o ureter e a porção inicial da uretra.

Quando a bexiga está vazia, as células mais externas do epitélio – voltadas para a luz do órgão - são frequentemente globosas. Quando a bexiga está cheia, as células superficiais tornam-se achatadas e o epitélio torna-se mais delgado.

Bexiga

Bexiga

O epitélio de transição e a lâmina própria de tecido conjuntivo formam a mucosa do órgão. As células mais superficiais do epitélio criam uma barreira osmótica entre a urina e os fluidos teciduais, devido à especialização da membrana plasmática em contato com a urina, que apresenta placas espessas separadas por faixas de membrana mais delgada. O complexo de Golgi é responsável por sintetizar esta membrana plasmática especial.

Bexiga, 100X, HE. Na imagem, pode-se observar a luz do órgão (asterisco), o epitélio de transição e o tecido conjuntivo.

Bexiga, 400X, HE. Nesse aumento, é possível ver com detalhes o epitélio de transição e o tecido conjuntivo. Nesse epitélio, as células arredondadas tornam-se achatadas quando o órgão está cheio, contribuindo para a capacidade de distensão da bexiga. - Menu Anterior

Tecido Muscular

Constituído por células alongadas, denominadas fibras musculares, com grande quantidade de filamentos citoplasmáticos de proteínas contráteis (miofibrilas). Alguns componentes das células musculares recebem nomes especiais, sendo a membrana celular chamada de sarcolema, o citosol de sarcoplasma, e o retículo endoplasmático liso de retículo sarcoplasmático.

Aplicação Clínica

As miofibrilas (actina e miosina) se prendem ao sarcolema por meio de várias proteínas, entre as quais a distrofina, que liga a actina a proteínas do sarcolema. Na distrofia muscular de Duchenne, essa proteína é inexistente ou defeituosa, o que leva à lesões progressivas das fibras musculares. As principais causas de morte em jovens são a cardiomiopatia e insuficiência respiratória. Essa distrofia é uma miopatia hereditária, ligada ao cromossomo X.

Liso - Estriado esquelético - Estriado cardíaco

Tecido Muscular Liso

Formado pela associação de células longas (podendo variar de 20 μm na parede dos pequenos vasos sanguíneos até 500 μm no útero gravídico), mais espessas no centro e afilando-se nas extremidades, com núcleo único e central. As células musculares lisas são revestidas por lâmina basal e mantidas unidas por uma rede muito delicada de fibras reticulares que amarram as células musculares lisas umas às outras, fazendo que a contração de apenas algumas ou de muitas células se transforme na contração do músculo inteiro.

O sarcolema dessas células apresenta grande quantidade de depressões com aspecto e dimensões das vesículas de pinocitose, denominadas cavéolas. As cavéolas contêm íons Ca2+ que serão utilizados para dar início ao processo de contração.

Além da capacidade contrátil, essas céluls também podem apresentar função de sintetizar colágeno do tipo III (fibras reticulares), fibras elásticas e proteoglicanos, apresentando retículo endoplasmático granuloso desenvolvido quando estão em intensa atividade sintética.

Duodeno

Duodeno, 40X, HE. Nesse aumento, é possível visualizar as 3 camadas - mucosa, submucosa e muscular -, assim como a luz do órgão, representada por um asterisco.

Duodeno, 100X, HE. Na imagem, pode-se observar as camadas com mais detalhes, sendo visíveis as glândulas presentes na submucosa.

Duodeno, 400X, HE. A foto da camada muscular permite visualizar as fibras de músculo liso e seus núcleos, alongados e centrais. - Menu Anterior

Tecido Muscular Estriado Esquelético

Formado por feixes de células muito longas (até 30 cm), cilíndricas, multinucleadas e que contêm muitas miofibrilas. Nas fibras musculares esqueléticas os numerosos núcleos se localizam na periferia das fibras, nas proximidades do sarcolema. Quando observadas ao microscópio de luz, as fibras mostram estriações transversais, produzidas pela alternância entre faixas claras e escuras, originadas pela repetição de unidades iguais, chamadas sarcômeros.

Em um músculo, as fibras musculares estão organizadas em grupos de feixes, sendo todos os feixes envolvidos por uma camada de tecido conjuntivo chamada epimísio, que recobre, assim, o músculo inteiro. Do epimísio partem finos septos de tecido conjuntivo que se dirigem para o interior do músculo, separando os feixes, constituindo o perimísio. Cada fibra muscular é individualmente envolvida pelo endomísio.

Músculo Esquelético - Língua

Aplicação Clínica

A atividade física leva ao aumento da musculatura por meio da hipertrofia das fibras musculares, não pelo aumento do número de fibras: ocorre formação de novas miofibrilas, levando ao aumento do diâmetro da célula muscular.

Músculo estriado esquelético, 100X, HE. É possível visualizar fibras musculares estriadas em corte transversal (T) e longitudinal (L).

Músculo esquelético, 400X, HE. É possível visualizar fibras musculares estriadas esqueléticas em corte transversal e longitudinal, e, nessas, as estriações transversais que caracterizam esse tecido. Os núcleos periféricos também são evidentes (seta).
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Língua, 40X, HE. Neste corte é possível visualizar as papilas gustativas (setas), assim como os feixes musculares em corte transversal (T) e longitudinal (L).

Língua, 100X, HE. Neste aumento, é possível visualizar com mais detalhes os feixes musculares em corte transversal (T) e longitudinal (L). Está evidenciado o tecido conjuntivo.

Língua, 400X, HE. São visíveis, neste aumento: núcleos periféricos das fibras musculares (setas pretas), endomísio (seta branca fina), perimísio (seta branca grossa). Também é possível analisar, no corte longitudinal, as estriações da fibra muscular. - Menu Anterior

Tecido Muscular Estriado Cardíaco

Constituído por células alongadas e ramificadas que se prendem por meio de junções intercelulares complexas. Essas células apresentam estriações transversais semelhantes às do músculo esquelético, e contêm apenas um ou dois núcleos localizados centralmente. As fibras cardíacas são circundadas por uma delicada bainha de tecido conjuntivo que contém abundante rede de capilares sanguíneos.

Tem como característica exclusiva os discos intercalares (estrias escalariformes), linhas transversais fortemente coráveis que aparecem em intervalos irregulares ao longo da célula, nos quais encontram-se três especializações principais: zônula de adesão, desmossomos e junções comunicantes. Os desmossomos unem as células musculares cardíacas, impossibilitando que elas se separem durante a atividade contrátil. As junções comunicantes são responsáveis pela continuidade iônica entre células musculares adjacentes, permitindo que o sinal para a contração passe de uma célula para a outra.

Existe também, no coração, uma rede de células musculares cardíacas modificadas, acopladas às outras células musculares do órgão, com papel importante na geração e condução do estímulo cardíaco.

Miocárdio

Miocárdio, 100X, HE

Miocárdio, 400X, HE. São visíveis os núcleos centrais das fibras cardíacas (setas grossas) e os discos intercalares (setas finas) - Menu Anterior

Tecido Conjuntivo

O tecido conjuntivo é um tecido de sustentação, responsável por estabelecer, preencher e manter a forma do corpo. A matriz extracelular é o componente mais importante desse tecido, sendo composta por proteínas fibrosas e substância fundamental amorfa.

As fibras de tecido conjuntivo são formadas por proteínas que se polimerizam formando estruturas muito alongadas. Os três tipos principais de fibras do tecido conjuntivo são as colágenas e as reticulares – compostas de colágeno - e as elásticas – compostas principalmente por elastina.

A substância fundamental, por sua vez, é uma mistura hidratada de glicosaminoglicanos e proteoglicanos (moléculas aniônicas) e glicoproteínas multiadesivas. Ela preenche os espaços entre as células e fibras do tecido conjuntivo e, devido à sua viscosidade, atua como lubrificante e como barreira à penetração de microrganismos invasores.

Existem diversos tipos de tecido conjuntivo:

Tecido Conjuntivo Propriamente Dito - Tecido cartilaginoso - Tecido ósseo - Tecido mucoso

Tecido Conjuntivo Propriamente Dito

Tecido Conjuntivo Frouxo

Tecido Conjuntivo Denso - Não Modelado - Modelado

Tecido Conjuntivo Frouxo

O tecido conjuntivo frouxo suporta estruturas normalmente sujeitas a pressão e atritos pequenos, não sendo muito resistente a trações. É altamente vascularizado, delicado, com função principal de preencher espaços entre grupos de células musculares, suportar células epiteliais e formar camadas em tomo dos vasos sanguíneos. Suas células mais numerosas são os fibroblastos e macrófagos, mas todos os outros tipos celulares do tecido conjuntivo também estão presentes, além de fibras dos sistemas colágeno e elástico.

Aplicação Clínica

Após lesões, a estimulação dos fibrócitos para regeneração da matriz leva à sua diferenciação em fibroblastos e miofibroblastos. Estes, que contem uma grande quantidade de filamentos de actina e miosina e, logo, atividade contrátil, são responsáveis pelo fechamento da ferida durante a cicatrização, processo conhecido como contração da ferida.

Pele, 100X, HE. Visão geral do tecido, mostrando a organização da pele em camadas: epitélio, tecido conjuntivo frouxo, tecido conjuntivo denso.

Pele, 400X, HE. É possível visualizar com detalhes as fibras delgadas e desordenadas que compõe o tecido conjuntivo frouxo, o epitélio acima do conjuntivo e os núcleos de fibroblastos (setas).

Pele, 400X, HE. A imagem localiza-se na transição entre o tecido conjuntivo frouxo, com sua fibras mais delgadas, e o tecido conjuntivo denso, com fibras mais espessas – ambos com fibras não organizadas. Podemos visualizar o epitélio (E) acima do tecido conjuntivo, vasos sanguíneos (VS) e núcleos de fibroblastos (setas). - Menu Anterior

Tecido Conjuntivo Denso Não Modelado

O tecido conjuntivo denso é menos flexível e mais resistente que o tecido conjuntivo frouxo, sendo assim capaz de oferecer resistência e proteção aos tecidos. É formado pelos mesmos componentes encontrados no tecido conjuntivo frouxo, entretanto, existem menos células e uma clara predominância de fibras colágenas. Quando as fibras colágenas não seguem uma orientação definida, ele é nomeado “Não Modelado”.

O tecido conjuntivo denso é menos flexível e mais resistente que o tecido conjuntivo frouxo, sendo assim capaz de oferecer resistência e proteção aos tecidos. É formado pelos mesmos componentes encontrados no tecido conjuntivo frouxo, entretanto, existem menos células e uma clara predominância de fibras colágenas. Quando as fibras colágenas não seguem uma orientação definida, ele é nomeado “Não Modelado”. - Menu Anterior

Pele pilosa, 400X, HE. Nesse aumento, podemos visualizar em detalhes as fibras que compõe o tecido, mais espessas e não organizadas. Também podemos visualizar núcleos de fibroblastos (setas). - Menu Anterior

Tecido Conjuntivo Denso Modelado

O tecido denso modelado apresenta feixes de colágeno orientados, de forma paralela uns aos outros e alinhados com os fibroblastos. Por ter sido formado em resposta à forças de tração exercidas em um determinado sentido, seus fibroblastos, em resposta à essas forças, orientaram suas fibras de modo a conferir o máximo de resistência a estas forças.

O tecido denso modelado apresenta feixes de colágeno orientados, de forma paralela uns aos outros e alinhados com os fibroblastos. Por ter sido formado em resposta à forças de tração exercidas em um determinado sentido, seus fibroblastos, em resposta à essas forças, orientaram suas fibras de modo a conferir o máximo de resistência a estas forças.

Tendão, 400X, HE. Nesse aumento, além das fibras ordenadas que compõe o tecido, podemos visualizar núcleos de fibroblastos (setas). - Menu Anterior

Tecido Cartilaginoso

O tecido cartilaginoso é um tecido conjuntivo especializado de consistência rígida. Possui função de suporte de tecidos moles, revestimento de superfícies articulares - absorvendo choques e facilitando o deslizamento dos ossos nas articulações. A cartilagem também é essencial para a formação e o crescimento dos ossos longos, servindo de molde para a ossificação.

Tecido Cartilaginoso

As funções do tecido cartilaginoso dependem principalmente da estrutura da matriz, que, por sua vez, é constituida por colágeno ou colágeno mais elastina, em associação com macromoléculas de proteoglicanos, ácido hialurônico e diversas glicoproteínas. As cartilagens se diferenciam em três tipos:

Cartilagem Hialina - Cartilagem Fibrosa - Cartilagem elástica

Cartilagem Hialina

É o tipo mais frequentemente encontrado no corpo Humano. Todas as cartilagens hialinas, exceto as articulares, são envolvidas por uma camada de tecido conjuntivo, denominado pericôndrio, que além de ser uma fonte de novos condrócitos para o crescimento, é responsável pela nutrição, oxigenação e eliminação do metabólitos da cartilagem, devido à presença de vasos sanguíneos e linfáticos, inexistentes no tecido cartilaginoso.

Traqueia, 100X, HE. Visão geral da organização da traqueia, sendo visíveis o epitélio, tecido conjuntivo subjacente e cartilagem hialina.

Os condrócitos são células secretoras de colágeno, principalmente do tipo II, proteoglicanos e glicoproteínas. Na periferia da cartilagem, os condroblastos apresentam de forma alongada, tornando-se arredondados mais profundamente na matriz. Aparecem, então, em grupos de até oito células, chamados grupos isógenos, porque suas células são originadas de um único condroblasto.

Traqueia, 400X, HE. A imagem mostra a cartilagem hialina da traqueia, na qual pode-se identificar: pericôndrio (P), condroblastos (setas finas), matriz hialina (M), grupos isógenos (GI) e condrócitos dentro das lacunas na matriz (setas grossas). - Menu Anterior

Cartilagem Fibrosa

A cartilagem fibrosa é um tecido com características intermediárias entre o conjuntivo denso e a cartilagem hialina. Com frequência, os condrócitos formam fileiras alongadas. A matriz da fibrocartilagem é acidófila, devido à grande quantidade de fibras colágenas e a substância fundamental (ácido hialurônico, proteoglicanos e glicoproteínas) é escassa e limitada à proximidade das lacunas que contêm os condrócitos. Não existe pericôndrio.

Disco intervertebral, 100X. Na visão geral do disco intervertebral, podemos identificar sua parte rígida, formada de cartilagem fibrosa, e o núcleo pulposo.

Aplicação Clínica

A ruptura do anel fibroso – geralmente na parte posterior, onde os feixes colágenos são menos densos – resulta em hérnia do disco intervertebral, com extravasamento do núcleo pulposo e achatamento do disco, que frequentemente se desloca de sua posição normal, podendo comprimir nervos e gerar dor.

Disco intervertebral, 400X. Nesse aumento, é possível visualizar os condrócitos organizados em fileiras, característica da cartilagem fibrosa. - Menu Anterior

Cartilagem elástica

A cartilagem elástica é semelhante à cartilagem hialina, porém, além das fibrilas de colágeno, possui também uma abundante rede de fibras elásticas, contínuas com as do pericôndrio. Essa cartilagem é menos sujeita a processos degenerativos do que a hialina.

Epiglote, 40X. A foto traz uma visão geral da epiglote, formada por cartilagem elástica.

Epiglote, 400X. É possível visualizar as lacunas onde se localizam os condrócitos (setas), em algumas delas sendo visível o núcleo dessas células. O asterisco indica a matriz cartilaginosa.
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